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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Acho que me apaixonei


        No meio de tanta coisa que a gente encontra nessa vida, lá estava ele. Não se preocupava se estava bonito, se as garotas o reparavam, se a bebida estava quente ou se a música estava chata. Ele queria se divertir: ria, brincava, dançava, girava, se esfregava na parede. Eu o observava disfarçadamente, afinal, ele não imaginava o quanto o meu peito doía por esconder todos esses sentimentos que insistiam em querer vazar justamente quando eu estava perto dele. Sabe quando você encontra uma pessoa que parece ter sido feita pra você? Eu não precisava beijá-lo para saber o quanto seria bom. Estar por perto já era como estar nas nuvens! Eu encontrava um pouquinho de mim mesma naquele ser o tempo todo, em cada sorriso, em cada palhaçada, em cada momento em que ele vinha brincar comigo e não dar em cima de todas as belas meninas que passavam por ele. Cada vez eu me fascinava mais e mais...

      Mas a vida não é perfeita. Às vezes o que a gente quer não é melhor pra gente e por mais que uma parte minha me diga para ainda ter esperanças, é hora de frear. É hora de parar, respirar fundo e aceitar a dor da perda antes mesmo da comemoração de vitória. Mas quem disse que isso é possível? E toda essa intuição me gritando que "sim, ele também sente isso"? Como boa canceriana que sou, eu nos imaginei juntos, viajei em todos os momentos perfeitos (e até mesmo os não perfeitos) que passaríamos até o fim de nossas pacatas vidinhas. Eu queria roubá-lo ali mesmo, na frente de todos. Queria gritar o quanto eu gostava dele e quanto poderíamos funcionar bem se ele quisesse. Todas as músicas que tocavam pareciam ser para nós; pareciam ter sido escolhidas por alguém que sabia da minha situação e que, assim como eu, queria que ele me notasse como algo a mais do que uma boa amiga. 

     Não sei se ele desconfia de tudo isso aí que eu sinto. Às vezes acho que sim, às vezes acho que não. Não sei se algum dia terei coragem de deixar com que ele me invada desse jeito e veja o estado frágil em que meu coração se encontra. E se ele me ignorar? E se não me der todo o valor que peço? Não sei se ele sabe que fomos feitos um pro outro, por mais que no começo da nossa amizade eu tenha negado isso pras minhas amigas e até mesmo pra mim mesma. Mas agora que finalmente entendi (e principalmente, admiti) o que sinto, a incerteza me corrói, invade meu peito e me machuca de forma profunda, sugando todo o pouco de felicidade que restava no meu âmago. Vai passar, eu sei. Mas e se eu não quiser que passe?

Acho que gosto de você mais do que deveria. 


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Sobre o amor (mais uma vez)

       Sempre tive essa fixação pelo amor. Talvez por não saber exatamente o que ele é, ou não conseguir expressá-lo em palavras sólidas, sempre gostei de divagar sobre o mesmo. E também, é claro, sempre gostei de duvidar dele para que a vida me mostrasse, mais uma vez, que - sim!- o amor existe. 
        Lá estava eu, no ônibus, irritada com a vida. Dessa vez não era brincadeira! Meu coração estava em pedacinhos, espalhados pelo corpo inteiro, me fazendo rejeitar qualquer ideia que pudesse me convencer de que eu tinha salvação. Eu olhava distraída pela janela, desejando que todos aqueles casais fofos que passavam por mim se sentissem como eu. Tudo bem, eu sei que é feio pensar desse jeito, mas eu queria que eles soubessem como dói quando nossas expectativas são estraçalhadas num piscar de olhos. Cada partezinha do meu ser doía, mas eu me esforçava para ignorá-las, afinal, ceder sempre fora inaceitável. 
        O trânsito estava insuportável, como de costume. Mesmo com o sinal verde, os carros estavam parados e a previsão para sair dessa situação era completamente imprevisível. Eis que as portas do ônibus se abrem e um casal de velhinhos (já bastante idosos, diga-se de passagem) entra e se senta exatamente na minha frente. Não observá-los era impossível. Ele, obviamente mais velho, tinha como única preocupação o bem estar dela. Não se ouviam palavras. Eram olhares rápidos, profundos, escancarando pra mim - e pra quem mais olhasse - o tanto de amor que um sentia pelo outro. Amor não é só beijo. É olhar, é cuidado, é carinho. Será que eles são almas gêmeas? Será que estão juntos há meio século? Será que ficam felizes ao observarem a linda família que criaram? Será que viajaram o mundo juntos? Brigaram tantas vezes e depois se beijaram apaixonados como na primeira vez?
         Não sei. Passo tanto tempo me decepcionando que não me dou conta de que, é possível sim, encontrar alguém que fique. Alguém que apesar das dificuldades, fique. Que até mesmo nos bons momentos, fique. Alguém que, apenas com o olhar, demonstre todo o sentimento que a gente passa tanto tempo por aí perseguindo... Mas e quanto a mim? Eu respiro fundo... E espero. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sobre não aceitar

          A vida não é fácil. Nunca será. A gente às vezes tem mesmo que ouvir o que não quer... E principalmente, tem que encontrar uma forma de aceitar. Ou quem sabe, questionar, procurar entrar em acordo, melhorar as duas partes. E aí, sim, aceitar.
            Na maioria das vezes eu sou repreendida por falar a verdade: eu falo o que penso, quando penso, na hora que penso. Pelo menos posso dizer que a minha vida é um livro aberto e que eu não preciso me afastar e esperar a poeira baixar pra tentar valer a minha opinião. Mas às vezes ser tão verdadeira dói - especialmente em mim. Dói porque vejo o quão mais fáceis as coisas são, já que sou limpa e cristalina como a água e vejo o quão difícil é lidar com as pessoas que vivem em meio a mentiras e conspirações. Pessoas tão baixas e tão mesquinhas que não conseguem ao menos parar de olhar para os seus próprios umbigos um minuto sequer.
             Com esse lance de redes sociais, as pessoas passaram a agir de forma projetada, isto é, lá (no facebook, amigos!) a gente faz o que a gente não faria na vida real. Se na vida real essas pessoas não conseguem encarar situações de cabeça erguida, na vida online todo mundo faz o que quer. Excluir e bloquear alguém dos seus amigos não faz com que ele realmente saia da sua vida. Os laços ficam para sempre, quer a gente queira ou não. Então ao invés de ser covarde, fugir e se esconder, por que não encarar que o erro foi imenso e que se deve fazer algo a respeito? Por que não sentar e conversar? É simples, é prático e a gente nem precisa se esconder atrás de um perfil do Facebook.
            Aceitar faz parte de amadurecer. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sobre o amor

        Encantado. A luz do sol entrava, de fininho, pelas frestas da janela e a irradiava. Tornava os fios de cabelos que negros são, castanhos. Eu podia sentir sua respiração serena ao meu lado. Tão divina. Com meus pequenos e singelos olhos, eu tentava sugar tudo que encontrava naquele rosto angelical: suas pintinhas, seus traços, seu sorriso despreocupado; sorriso de quem sonha, de quem é leve acima das durezas desse mundo. Eu queria roubá-la pra mim, mesmo sabendo que seu coração já me pertencia. Eu queria eternizá-la. Fazer com que cada parte que ali estava, ali ficasse.

Luzes na praia

       A sensação é viciante. Por apenas quinze minutos, pude esquecer do mundo: dos meus problemas, da confusão, do calor, da irritação, de tudo. Fiquei parada, imóvel, curtindo as luzes que surgiam e me iluminavam por completo. Iluminavam todos à minha volta. De vez em quando, sorrateiramente, virava afim de ver a reação das pessoas. Seus rostos ficavam ora verdes, ora vermelhos; amarelos, dourados e roxos! Os sorrisos estampados demonstravam que todos se sentiam exatamente como eu: livres; entregues à deliciosa sensação das luzes indo e vindo, na imensidão do mar. O medo de ser atingida já não me pertencia mais; internamente eu rezava para que aquilo durasse mais e mais e mais...
      Uau e nossa! eram, sem sombra de dúvida, as palavras mais pronunciadas e ouvidas. Crianças sorriam. Pessoas se abraçavam. O ano novo estava entre nós! E chegava com estilo inigualável... A chuva fininha e gelada que caía só ajudava. Fazia com que nós nos sentíssemos vivos. Como se todos, juntos, fôssemos parte de algo muito maior e inexplicável, presente o tempo todo.
      Esqueci-me da realidade. Perdi-me entre as luzes tão vivas. Penso que a minha versão velha por lá ficou... Insegura e medrosa - perdida, por entre as ondas infinitas do mar. Espero que por lá ela fique. Não preciso mais!
   

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sobre o fim sem começo

       Devastada. Eu não sabia para onde estava indo ou exatamente o que tinha acontecido há alguns minutos atrás. Teria sido apenas um sonho ruim? Não, foi real. A dor que ardia em meu peito e me fazia sentir aquela angústia tão intensa me informava a todo tempo que aquilo não era uma brincadeira. As palavras e olhares se repetiam sem parar, over and over and over again na minha cabeça. Eu andava com passos pequenos e ligeiros, as pessoas passavam como borrões e suas expressões perdidas não me importavam; no fundo eu desejava poder correr para bem longe e deixar tudo aquilo para trás. 
         Subi as escadas até o estacionamento completamente desorientada. Eu não sabia exatamente o porquê disso tudo, mas cada cena insistia em se repetir na minha frente, como se nada no mundo importasse mais. Como eu poderia sofrer por algo que nem mesmo começou? Como algo tão simples e tão insignificante poderia me machucar tão profundamente? 
        Devastada. A gente sempre acha que as coisas estão bem como são, e que algumas características que consideramos qualidades são vistas assim por todos. Que ledo engano! Valores são ultrapassados e ser quem sou é - aparentemente - errado. Tentar chegar a um acordo é inaceitável. É o fim! É o fim! Alguém pode parar o mundo e me informar quando tudo isso começou? Quando me tornei tão legível? Quando as coisas não eram tão complicadas? 
         "A gente toma porrada e não fica caído no chão, não! A gente levanta e mostra que tá tudo bem. Eu não quero ver você emburrada assim...". Quem dera aceitar fosse mais fácil. Quem dera engolir um monte de besteiras não fizesse com que meu estômago gritasse por misericórdia. Quem dera absorver um golpe como esse fosse tão tranquilo. Às vezes acho que o problema sou eu. Antiquada demais? Romântica demais? Sonhadora demais? Que me desculpem os diferentes, mas é assim que as coisas funcionam. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

E Aí, Raul

        Saí falando pra todo mundo que dessa vez não ia ter post sobre o show do McFly, mas como minha vida é cagada, devo admitir que não resisti. Às vezes as coisas simplesmente dão errado. E o pior é que na maioria das vezes não adianta lutar.

       Eu estava ansiosa pro show. Eu dizia pra todo mundo - principalmente para mim mesma - que não, mas era óbvio que eu estava. Shows sempre rendem boas histórias. Enfim, fui pro trabalho mais cedo, levei a marmita no ônibus cheio (sou uma heroína) só pra não perder tempo almoçando, combinei tudo. Na minha mente, pelo menos na minha, tudo era perfeito. Mas a merda começou quando meus pais se atrasaram para me buscar.

       Eu não sei qual o problema do meu pai com atrasos e às vezes acho que isso só pode ser a vida me sacaneando. Mas o fato é que eles atrasaram e adivinhem só!, quando saímos do lugar onde eu trabalhava, o engarrafamento estava de matar. Enquanto íamos todos apertados dentro do carro (sim, minha irmã deu carona pra duas amigas fofas), minha amiga estava em cólicas, na fila do show, porque eu não chegava. Como se a culpa fosse minha! Mas tudo bem, eu já tinha desistido de ficar nervosa.

       Quando o trânsito finalmente desafogou e as minhas esperanças de chegar a tempo cresceram loucamente dentro do meu coração, eis que a parte mais tensa da história acontece: uma das amigas da minha irmã resolve "Chamar o Raul". Caro leitor, espero que você seja inteligente ou tenha o mínimo de cultura inútil para entender o que eu quis dizer com essa expressão.

       ... Mas sim! Ela chamou o Raul dentro do carro! E como eu sou uma pessoa que definitivamente não sabe lidar com o Raul, a única coisa que fiz foi entrar em pânico, abrir a porta do carro e sair correndo. Devo lembrar ao leitor que nós estávamos no meio da rua e que eu saí do carro em movimento? Ok.

       Certo. Inteligente e sagaz como meu pai é, ele encostou o carro e eu corri até eles no meio de ônibus, carros e motos, ainda não acreditando no que tinha acontecido. Mas quando vi a coitada chamando o Raul, dessa vez fora do carro!, eu acreditei.

       Eu a entendo. Tava todo mundo nervoso, apertado e ansioso e como meu pai adora correr, ela deve ter ficado mais nervosa ainda. E quer saber? Eu também não a culpo. Afinal, ela me deu assunto pra um excelente texto.

      Enfim, quando ela finalmente acabou e ficou bem, foi a vez da minha irmã. Não de chamar o Raul, é claro, mas de prender o dedo na porta. Às vezes eu sou completamente adepta à teoria do: "Nada é tão ruim que não se possa piorar.". É óbvio que depois disso tudo eu já tinha perdido meu lugar, mas não sei porque me enchi de esperanças. Acho que gosto de quebrar a cara, não é possível.

      E no exato momento em que saí do carro, já em frente ao HSBC Arena e me dirigi pra fila, meu celular vibrou e eu recebi uma mensagem. A mensagem mais triste da minha vida, diga-se de passagem. Com apenas duas palavras, minha amiga me fez soltar o "puta que pariu" mais sincero de toda a minha vida. Palavras estas que transcrevo pra vocês: "Entrei, cara".

     ENTREI, CARA???? E eu? Meu Deus, por quê? Por que eu sou tão cagada? Por que não mais 2 minutos? POR QUÊ? Continuei xingando mentalmente todo o universo, já que meu pai estava de cara feia por causa do "puta que pariu" acima citado. Sim, ele briga comigo por falar palavrão até hoje. Mesmo em situações em que nada mais consiga me expressar tão bem.

     Superada a crise, segui na fila e minha amiga me guardou bons lugares. Ainda bem. Não eram tão bons quanto eu queria, mas eu me dei por satisfeita. Eu estava lá, minha irmã estava lá e finalmente ia poder realizar o sonho de levá-la num show internacional. Afinal, tanta merda assim só daria num bom resultado...

Uma montagi da galera pra vcs, fotos que a gente tirou antes mesmo dos shows
começarem (: lindjas todas lindjas!

pfvr Danny Jones love of my life

E a última fotoca do Tom, lindo e absoluto!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Sendo direta

- Alô?
- Oi, João...
- Bruna? Oi linda!!! Como tá o seu feriado?
Animação em doses cavalares costuma me irritar. Eu estava sendo fria com ele - e isso é completamente óbvio - mas ao invés de perceber, ele prefere bancar o simpático-que-agora-se-preocupa-com-o-meu-feriado. Respondi, sem enrolar muito:
- Hmmm... Normal, sabe como é... Parado...
- Você e essa mania de ser velha! Tem que sair mais, garota!
Ohhhh, senhor simpático de novo. Engraçado esse comentário dele, principalmente porque a única coisa que falta para que eu saia mais de casa é um convite dele. Coisa que eu estou esperando há semanas... Ok, dias. Que seja!, resolvi ser mais agressiva:
- Hahahah, também acho. Inclusive vou ao cinema amanhã.
- Sério? Com quem?
- Ah, com um carinha aí...
- É mesmo? - Pude sentir todo o ânimo que estava na conversa se esvaindo rapidamente. Seria ciúmes? Esse rapaz é capaz de demonstrar algum sentimento???? - Legal.
Sempre odiei ser tão impulsiva. Passo grande parte do meu tempo tentando controlar essa característica tão forte que tenho. Tentando me transformar em alguém que pare para pensar. Mas quem disse que consigo? Quando dei por mim as palavras já tinham sido vomitadas na cara dele:
- Legal mesmo seria se eu fosse com você. Mas você nunca me convida, né? Tava pensando justamente nisso! No quanto eu queria que você estivesse no lugar desse pateta com quem vou ver um filme sem graça!
- Uau, Bruna...
- Uau, nada! Você sabe como eu me sinto, eu sei como você se sente... Eu só não quero ficar (mais) cansada de tanto esperar! Se você não quer...
- Eu nunca disse que não quero...
- E nem que quer! Esse é o problema!
- Eu só...
- Chega. Não tenho mais nada pra falar com você.
- O pateta chegou?
- Talvez.

Desliguei o telefone, com raiva, e fui me arrumar. Pateta ou não, o novo rapaz merecia uma chance. Não era exatamente quem eu queria. Aliás, ele nem mesmo me lembrava o João. Mas merecia uma chance. E eu me forcei a fazer isso. Desci as escadas pensando seriamente se desmarcava ou não, quando dei de cara com um rapaz sentado nos últimos degraus. Diminuí o passo, revirando os olhos, pensando "Ah, não, provavelmente algum amiguinho do meu irmão esqueceu que ele viajou!". Sem olhar para o rosto do ser que estava me atrasando, eu disse:
- Ei, meu irmão viajou. Cai fora!
Foi aí que gelei. Não podia ser.
- João?
- Acho que você me...
- Confundi, é. - eu disse, ainda meio incrédula - O que você tá fazendo aqui?
- Uau! Que jeito meigo de me receber!
- É só que... Eu não... É, eu não esperava te... Encontrar aqui.
- Tudo bem, não precisa se explicar. Eu sei que fui um babaca...
- Não me diga?
- Ei, calma... - fiquei quieta, segurando meu lado impulsivo. - Eu só tô aqui pra recuperar o tempo perdido, sabe como é... Você quer ir ao cinema comigo?
- Hoje?
- Agora!
Filho da puta!, pensei. Tive que dar uns gritos pra ele finalmente tomar uma atitude. Será que ele só tomou porque falei ou porque ele realmente me quer? A dúvida me dilacerava por dentro. Dançava no silêncio que se plantou logo após seu convite. Cobrava-me uma resposta...
- Sinto muito, João, mas não vai dar. Lembra que eu já tinha compromisso hoje?
- Mas não era um cinema com um pateta?
- Ainda é. Mas não posso fazer nada se ele mereceu uma chance de deixar de ser pateta.

Saí andando, sem olhar pra trás, decidida apenas por fora. Por dentro, eu estava em frangalhos. Queria voltar, abraçá-lo e beijá-lo, dizer olhando em seus olhos o quanto eu esperei que ele finalmente tomasse uma atitude. Mas nada que é bom vem facilmente, não é? E a gente tem que lutar. Pois bem, que comece a guerra.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O outro lado da moeda

      Devido ao inesperado sucesso da minha última postagem, eis que conversando com um amigo meu - salve, Rominho!! - outra ideia surge. E se agora o assunto fossem as mulheres? É muito mais polêmico, eu sei, mas que as mulheres deste século não são mais as mesmas, ninguém pode negar. Queimaram sutiã em praça pública, fizeram passeatas, exigiram seus direitos e agora são independentes. Independentes. Incrível como essas mesmas mulheres misturam os conceitos de independência com desvalorização. Opa, devagar! É isso mesmo. Tem muita mulher por aí desejando o tal homem que citei no texto passado, quando na verdade não merece. Não vejo problema nenhum em transar no primeiro encontro ou transar com seu namorado. Veja bem, o que me incomoda é a forma com que as mulheres tratam a situação. É um tal de uma rapidinha com o fulano aqui, uma com o outro ali, três com o vizinho gatinho e por aí vai. Assim, minha filha, nem o cara mais homem que eu conheço vai te querer. Sinto muito, mas é a verdade. Dói, né? Eu sei. Já tentei fingir que as coisas não são assim. O pior é que não adianta ficar chupando dedo, até porque mulher da vida tem até na novela que tá passando na Globo agora. Alguns pequenos detalhes as feministas conseguiram mudar sim, e uma porrada de gente sente um imenso orgulho disso. Mas outras coisas simplesmente serão desse jeito pra sempre. É o que a sociedade impõe e se a gente não aceitar, ah, colega... Ficaremos esperando nosso homem até o fim dos dias.
      Então, para as cabisbaixas sem esperanças, respirem fundo, apertem os cintos e repensem suas vidas: nos últimos meses ou anos, vocês têm se dado valor? Ou os rapazes que vocês julgam como homens têm tido vocês muito fácil? Se a resposta para a segunda pergunta foi sim, reveja seus valores, amiga. Isso aqui não é auto-ajuda, mas talvez você ainda não tenha encontrado seu homem porque simplesmente ele passou e você estava mais preocupada em mostrar seu corpo pra ele do que seu conteúdo! E amiga, homens de verdade gostam de sorrisos. Gostam de papos inteligentes e conquistas. Então valorize-se antes que você passe do tempo e fique pra titia!

CLIQUE AQUI PARA LER O "Sobre Babaquice", texto que originou esse.

domingo, 20 de maio de 2012

Triste realidade

    Por entre as gotas de água que molhavam o vidro do carro, a cidade e as pessoas passavam rápido. Nada parecia ser fixo; não prestava atenção em muita coisa. Simplesmente perdia seus pensamentos enquanto mais gotas se juntavam ali e escorregavam para fora de seu campo visual. Nada parecia fazer muito sentido, nada parecia ser muito exato. As coisas simplesmente aconteciam. A chuva fina caía nos ombros das pessoas que estavam ali para se molhar e quando o carro no qual era transportada parara no sinal, seus olhos se fixaram numa cena que mudara sua vida por completo.
     A expressão dele não era a mais calma do mundo. Parecia preocupado. Não com a chuva que caía levemente sobre seus ombros, nem com o barulho que os ônibus faziam ao passar por eles. Mas com ela. Seu olhar queria protegê-la de tudo que pudesse acontecer naquele breve espaço de tempo. Ela não parecia se importar. Mantinha uma distância agradável dele e seu olhar era vazio. A garrafa de água que ela segurava parecia mais interessante do que qualquer coisa que ele tentava dizer. Ela fez menção de atravessar a rua, ele a segurou. A menina que observava tudo do carro quase pode ouvir um "Por favor, fique..." saindo de sua boca. Ela ficou, mas apenas fisicamente. Sua alma já estava do outro lado da rua. Ele começou a falar mais rápido, seus olhos suplicando pelos olhos dela; nada. Nada. Ela atravessou quando ele acabou desviando seu olhar por alguns segundos e completamente perplexo, ele a seguiu. Seguiu sem olhar para atravessar, seguiu sem pensar nas consequências. Apressou o passo para não ser atropelado por aquele imenso ônibus que cortou seu caminho ao mesmo tempo em que toda aquela pressa era para alcançá-la. O carro começava a mover-se quando a menina que observava tudo virou-se para trás para vê-lo correndo em direção à tal mocinha por quem ele parecia tão desesperado.
     Os pensamentos em sua cabeça não paravam. Hipóteses do que aconteceria em seguida surgiram ao mesmo tempo em que ela gostaria de saber o desfecho da história. Sua vontade era de pedir para que seu pai retornasse, mas o destino não seria tão legal com ela. Provavelmente eles não estariam mais ali. Ela teria que imaginar sozinha. E isso não era difícil pra ela.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Como o mundo me vê

   Nunca fui igual as outras. Não sou a mais bonita, a mais magra, a impecavelmente educada, a bem maquiada, a melhor vestida ou a mais popular. Sempre fui... eu. Um pouco engraçada e bem humorada, gordinha, desengonçada e descabelada. A menina que fala alto, sabe? Que gosta de ficar sozinha às vezes, que pensa muito, que se perde um pouquinho, que sabe o que quer. Aquela que sorri em meio as dificuldades, que segura as pontas e chora escondido.
  Sou egoísta. Sou agradável. Sou tímida e palhaça. Sempre quis ser artista. Cantar, dançar, atuar. Ao mesmo tempo. Maior decepção? Descobrir que as pessoas não são eternas... Tenho rinite. Não ando de ônibus. Patos e agulhas não são bem-vindos. Detesto erros de português. Escrevo quando quero chorar. Não tenho ideias criativas - a maioria são dos outros. Não sou a mulher da sua vida. Posso parecer ideal, mas sou uma confusão de sentimentos, sorrisos e pensamentos. Gosto de vencer. Sentir-me bem comigo mesma. Cheiro preferido? Maresia. Não bebia até o começo desse ano. Já repeti de ano na escola; mas tomei tanto susto que resolvi correr atrás do tempo perdido e hoje só estudo. Quero ser foda. Quero atingir meu limite, quero passar dele se possível! Gosto de ser a melhor. Tenho pânico da morte. Gosto de lavar a louça cantando. Tenho manias esquisitas; sou boba na hora certa. Passo a maior parte do tempo reclamando que escrevo mal e quando leio o que produzo, gosto bastante; Elogios me inflam. Não sou muito fã de chocolate. Quando fico nervosa, tenho gastrite. E mordo a boca também. Ajeito minha franja de um jeito único. Sou extremamente apaixonada por cachorros. Não importa o tamanho, a idade, a raça, o sexo... Passo mais tempo na internet do que se pode imaginar. Aprendi inglês sozinha. Adoro balas. Quero aprender francês. Tenho má postura. Transpiro demais. Passo muito tempo pensando... Guardo meus sentimentos, me viro sozinha.
    Em meio à tantas particularidades, sou só mais uma. Em um milhão. Em um bilhão. Em quantos forem...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Porco-móvel e Coca-Cola


     Eu estava triste e cabisbaixa, sentada em um dos puffs espalhados pelo shopping quando meu celular tocou. Oba, mamãe chegou pra me tirar desse tédio!, pensei. Dito e feito. Fui andando vagarosamente até o carro, enquanto o vento bagunçava meus cabelos e tentava levantar meu vestido... Por que as coisas não eram como eu queria? Por que tudo era tão difícil?
   Entrei no carro e minha mãe, é claro, acabou me distraindo com suas histórias mirabolantes. Eu já não pensava mais no que tinha dado errado, ou no que não acontecera como planejado; eu só queria chegar em casa! O caminho não era muito longo, mas (como em todos os lugares nesta maldita cidade!) era cheio de declives...
   Antes de continuar a trágica continuação dessa pequena história, devo contar onde minha mãe estava quando liguei pra ela do shopping pedindo para que ela me buscasse. Não, ela não tava fazendo nada de errado. Não estava com o Ricardão (calma, pai, respira, ele não existe!!! Foi brincadeirinha!!!), não estava ganhando dinheiro (o que seria ótimo pra mim...), não estava fazendo compras de madame (o que seria muita folga da parte dela, convenhamos!). Ela estava fazendo compras sim, mas num supermercado bastante conhecido: Carrefour.
   Agora que vocês já sabem um pouquinho mais sobre os fatos ocorridos antes da tragédia, continuarei: estávamos felizes, conversando ao som de algum cd que meu pai colocara pra tocar, quando ouvimos aquele clássico tsss tão conhecido e comercializado pela Coca-Cola.
   Desconfiada, olhei pra minha mãe e perguntei:
   - Ei, mãe, você comprou Coca-Cola no Carrefour?
  Distraída, sem ligar os fatos, respondeu:
   - Claro, lembra que a Karine pediu? Pra faze...
  Eu já não escutava mais nada. Rapidamente, girei meu tronco 180º e deparei com a cena: as garrafas de Coca estavam no chão do carro, enquanto uma das duas espirravam aquele líquido marrom para todos os lados!
  - Er.., mãe?
  - Que foi?
  - Acho que tem alguém tomando nossa Coca...
  - Como assim, menina? - definitivamente, minha mãe consegue ser tão lerdinha quando quer...
  - Tá entornando tudo no tapete, mãe!!!!!!
Quando vi que a garrafa não parava de vazar, tirei o cinto rapidamente e as levantei. Tive que ficar meio torta para que elas não caíssem novamente e claro, melar minha mão toda até chegar em casa. Minha mãe estava indignada.
   - Eu vou ligar pro atendimento ao consumidor da Coca-Cola! Isso é um absurdo! Eu não consigo acreditar... Foi só porque eu limpei o carro, não foi? Mandei polir, encerar e lavar... Aí me acontece uma dessas! Acho que vou pedir uma limpeza pra Coca... O que você acha?
   - Eu acho que a gente podia só limpar tudo, mãe. E pedir umas Cocas de graça.
   Minha mãe revirou os olhos, saindo do carro. Calmamente, soltei a garrafa (fazendo uma cara de dor ao ver que ela não parava de vazar) e fui ver o estrago. Só conseguia pensar em uma coisa: O papai vai matar a gente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
   Conhecendo-me um pouquinho, vocês devem estar pensando: "aposto que ela tá exagerando...". Isso mesmo! Até que o estrago nem fora tão grande, graças ao tapete que ficando todo melado e grudado protegeu o chão do carro. Depois de subir, contar a tragédia pro meu pai (que graças a Deus, tinha acabado de acordar e como estava com sono, nem processou direito a informação), descemos e limpamos tudinho.
   É nessas horas que minha mãe tem razão de chamar nosso carro de Porco-móvel. É inevitável.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Desasjustados ficam sem casa

Enquanto isso, na vida pacata e parada do Paraíso...

- É, Zel, tem jeito não...
- Eu juro que eu tentei, Zezinho, mas às vezes eu acho que a culpa foi minha... Não forcei Clara a dar Maracujina suficiente pra essas garotas! 
- Já tô vendo a confusão que isso vai dar! É muita gente... 
- A questão não é a quantidade, mas sim a agitação! Não entendo d'onde essas meninas puxaram essa energia toda! Tudo bem que Pedro e Paulo eram muito agitados, mas, poxa, eles melhoraram com a idade! 
- É... Acho que ficar só observando vai me deixar mais apreensivo...
- Mas o que a gente pode fazer? Mandar boas vibrações?
- Isso eu faço todo dia!, o tempo todo... Desde quando parti... 
- Ainda acho que você devia mandar uma mensagem especial pra sua esposa, Cida... Se você se sentir incomodado, eu mando, não tem problema! Acho que ela não tem noção do ato de loucura que ela está prestes a cometer! E outra coisa, nossos superiores não ficarão tão bravos assim... 
- É uma boa, Zel, mas não vejo nenhum ato de loucura nisso... 
- Ora bolas!, esse ato é mais claro que a água cristalina daqui!  Dividir um quarto e sala com o próprio filho e sua família é loucura! Eu já passei por isso e posso te dar certeza... 
- Creio eu que pra ela não haverá tanto problema assim. Afinal, que tipo de mãe deixa o filho sem casa????
- Eu entendo o sentimento dela, mas, Zezinho, não era você que os chamava de Desasjustados do 302? Esse apelido não era em vão, eu aposto!
- Sim, não o era e creio que ainda é bem descritivo. Mas ainda acho que a solução que ela escolheu é a melhor!
- Sem sombras de dúvida; é verdade. Como mãe, eu também pensei na mesma coisa quando eles resolveram se mudar da rua Agassis e não achavam apartamento! Não sei se você acompanhou daqui, do paraíso... Mas você se lembra quando dividi meu apartamento com eles? Pois é, não aguentei 3 meses. É muita bagunça, é muita falação, é muita coisa pra uma senhora como eu! Junte isso tudo e acrescente um cachorro! Acabei me mudando antes mesmo do planejado... Deixei a bagunça por conta deles!
- Não acompanhei, é verdade, pois eu ainda estava em tratamento... Mas agora com a facilidade dessa TV de alta tecnologia nos ligando à eles, fica bem mais fácil! Olha lá, as meninas acabaram de chegar em casa...
- Ah! Que saudade!
- E já estão gritando, as cachorrinhas estão latindo... Inclusive, não conheci aquela pretinha pequenininha ali! Fico pensando se o Luiz não fica doido... Eu já teria colocado cada uma em um quarto! Esse meu filho é um guerreiro mesmo! Sempre soube que ele ia me orgulhar demais... 
- Pois é. Sempre soube que ele seria um bom marido e pai. Ele é um ótimo genro! Aliás, puxando a sardinha pro meu lado, a Clara também não deixa a desejar.
- Não mesmo.
- Fico feliz. Mas ainda acho que a Cida vai se arrepender...
- Deixa de ser boba, Zel, vai nada!
- É claro que vai! Esqueceu que além dos quatro, ainda vão duas vira-latas????????????? Com uma vira-lata eu já fiquei doida, imagina mais uma... Meu Deus do Céu, haja paciência e amor pra essa vó Cida! 
Zezinho sorriu, fechando os olhos e mentalizando boas vibrações para o filho e sua família. Se ao menos seu filho pudesse se tranquilizar um pouco! Tudo ia dar certo; a mudança para o Rio de Janeiro era certa! Zel também sentia isso; e claro, sabia que estava na hora de sua filha finalmente ser feliz... Observar sem poder ajudar era horrível, mas pelo menos ela tinha companhia do avô paterno das meninas! E do resto da família que já tinha partido... Às vezes escutar as opiniões dos outros a respeito da vida de seus respectivos filhos era um saco! Zel sempre os mandava calar a boca... Zezinho, mais político, ainda tentava argumentar.
- Não querendo atrapalhar a conversa fiada de vocês, - um anjo com cara de bravo apareceu - mas já atrapalhando... Tenho certeza que os dois têm mais a fazer!
Zel sorriu para Zezinho e falando baixo o suficiente para que só os dois escutassem, disse:
- Ai ai se eu tivesse mais intimidade com esse anjo sem vergonha!
As gargalhadas após essa fala ecoaram por dias... 




sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Espinhas de peixe

     A vida é mesmo engraçada. Talvez essa não seja a melhor palavra para descrevê-la, mas com certeza faz sentido. Curiosa; surpreendente. Há muito tempo parei de criar expectativas em torno das coisas... Elas não me levavam à lugar nenhum; a decepção era enorme. Mas ainda assim, mais uma vez, me surpreendi.
    Primeiro, descobri que sou muito forte. Sou praticamente feita de aço! A verdade é que todo mundo adora fazer um drama... O problema é que eu acreditava nos meus! Eu era uma coitadinha mesmo... Até acordar pra vida e chutar o balde!, que dizer, meu ex. Meu Deus, que cara chato! Quando finalmente criei coragem de mandá-lo embora e o fiz, eu me senti tão leve, mas tão leve que saí voando por aí e dei de cara com um rapaz de olhos azuis.
    Este rapaz, sim, é o personagem principal deste pequeno causo que conto, leitores. Um rapazinho - que de -inho nada tem, diga-se de passagem - esperto, sagaz e quieto: um típico mineiro! Quando notei, já estava completamente in love. Minha irmã mais nova dizia que saíam corações dos meus poros quando eu começava a falar dele. Sério. Deu pra ter uma noção da gravidade da situação, né? Eu estava apaixonada! E se ele não estivesse? Tudo bem que eu sou praticamente feita de aço, mas meu coração não é - ainda. Eu iria padecer... (Sentiram o drama que eu mencionei ali em cima, né?)
    Mas foi aí que a vida o colocou em prova. Não o drama, mas meu novo namorado. Acompanhem o raciocínio e se quiserem rir da minha cara, imaginem a situação: domingo de tarde; o almoço fora delicioso e inovador: sardinha. Por mais cuidadoso que meu pai (não) tenha sido, algumas espinhas fininhas encontravam-se espalhadas pelos pedaços fritos daquele projeto de peixe. Agora é só ligar os pontos!
    Eu sempre fui chiliquenta. Cheia de "não me toque", de mimimi e tudo mais que uma menina chata pode ter direito. Se você ouvir minha mãe contar, por exemplo, a luta que era pra me fazer tomar remédio, acho que eu não teria amigos. Muito menos um namorado!!! Mas isso não vem ao caso agora... (mudar de assunto é sempre essencial nessas horas!!!!)
    Enfim, eu sei que você deve estar pensando: "Mas por que raios essa menina contou sobre o almoço de domingo e começou com o narcisismo?". Simples. A espinha de peixe ficou presa na minha amígdala. Astuto como um leitor assíduo do meu blog deve ser (se você estiver mesmo lendo isso, ligue pra modéstia. Ela ainda nem passou por aqui!), aposto que tudo ficou claro! O carnaval pra tirar a espinha foi bem longo...
    Minha sorte foi ter me apaixonado por um futuro - guardem a palavra que virá em seguida - paciente dentista. Foram 3 (TRÊS!!!) cansativas horas para que ele conseguisse tirar a espinha da minha imensa, vermelha e claro, babada amígdala. Eu abria a boca, abaixava a língua, ele vinha com a pinça, eu fazia vômito. Minha mãe tentou, meu pai tentou, minha irmã tentou, nada. Eles experimentaram segurar meu rosto, nada. Amarraram-me na cadeira, nada. Seguraram até mesmo minha língua!, e adivinhem... Nada.
    Eu já estava pensando em conviver com a espinha nas minhas amígdalas quando ele perdeu a paciência (eu disse que essa palavra seria importante...) e, segurando minha boca com firmeza, puxou a maldita de uma vez só! Eu tossi, fiz vômito, cara feia, mas sobrevivi.

Lição número 1: nunca mais comer peixe.
Lição número 2: Meu namorado me ama! E muito... Porque afinal, que tipo de cara enfiaria a mão na sua guela (durante 3 horas, só pra relembrar), ficaria todo babado e depois disso tudo ainda continuaria com você???? Sinceramente, é por isso que eu digo: a vida é uma (bendita!) caixinha de surpresas!
 
   

domingo, 28 de agosto de 2011

Bem mais que perto...

Preenchida. Meus ouvidos se conectavam àquelas notas singelas, simples, rápidas. Arrancavam-me sorrisos internos. E externos também. Minha boca contraía-se num sorriso sem que eu a permitisse este movimento. Eu o olhava, eu o contemplava, eu o sugava pelos olhos. Fascinação. Talvez seja a melhor palavra para descrever. Tinha me esquecido de como gostava da forma como as suas mãos seguram o violão; ou como você sorri, despreocupado, apenas curtindo. Tocando música para si mesmo. Eu já te disse que isso é admirável? Não dever nada para ninguém. Fazer porque te preenche, porque te acalma, porque te completa...  As notas continuavam a vir incessantemente, a melodia entrava por meus ouvidos, me fazendo querer levantar e dançar como a música. Mas eu fiquei ali, parada, absorvendo cada pedacinho de você que explodia por dentre aqueles pequenos minutos que se passavam. Desejando que você pudesse invadir meus pensamentos, minha mente. Desejando que você pudesse sentir-se tão bem quanto eu me sentia, tão preenchido, tão... feliz.

sábado, 2 de julho de 2011

Proposta Indecente

     Essa sou eu: reclamo de tudo, o tempo todo. Reclamo que tenho que ir de ônibus pra faculdade, reclamo que tenho que estudar, reclamo que não tem comida boa, reclamo que tô gorda, que meu cabelo tá ruim, que a minha unha quebrou. Sou sedentária. Nunca gostei de esportes, afinal, as garotas da minha época de colégio eram tão - com perdão da expressão - cavalas que a pobre coitada da menina que escreve à vocês não teve outra opção a não ser ficar traumatizada e desistir dessa vida.
     E desisti mesmo. Passei a dançar. Dancei por vários anos, cheguei ao nível expert e adivinhem só!, parei. Parei porque a vida é difícil, sabem como é? É difícil pra caramba. O joelho dói, o tempo acaba, o estudo aumenta e a sua mãe diz: "Chega, vai estudar, você já passou da idade de dançar pra lá e pra cá!" Aí sabe o que você faz? Você senta e chora. Mentira, você vai caçar seu rumo.
     Aí você vira uma sedentária como eu. Não gosta de andar a pé, de ônibus ou de qualquer outro veículo que não seja o confortável carro dos seus pais. Não consegue dar uma volta usando seus próprios pés como seus condutores porque em 2 minutos você já está arfando. Correr? Definitivamente se torna uma ação para os fracos. Você passa a abominar tudo o que tem a ver com a expressão "gastar energia". Comer e dormir são seus esportes preferidos. A preguiça reina. Você é zoada, é bullinada (essa expressão já existe?) no colégio e passa a aceitar a situação sem reclamar. Não fazer nada passa a ser o seu fazer tudo.
    Eis que de repente, em uma noite monótona de uma semana mais monótona ainda, minha amiga me faz a proposta mais indecente que já me fizeram: fazer boxe com ela. Ora, ora. O esporte parece ser divertido e como ela mesma me disse, nada perigoso. Mas, ó, Deus, por que logo eu? Com tanta gente no universo, por que logo eu? Não sei quanto à vocês, mas eu não me imagino usando aquelas luvas, muito menos socando alguém. Se eu me machucasse ou machucasse alguém, provavelmente seria chororô pra uma semana, no mínimo. Tadinha de minha mãe!, pois não haveria paciência no mundo que me aturasse.
   A verdade é que pessoas como eu nasceram para não praticar esportes. Não é difícil de entender, ora bolas! Enquanto você corre, transpira, fede e cansa, eu prefiro ficar com (como já cantava minha amiga Elis Regina...) meus discos, livros e nada mais!

  Então, se você é como eu, não fique triste. Aceite. Você não vai conseguir mudar isso mesmo... rs
   

segunda-feira, 9 de maio de 2011

E agora, José?

   Escrever. É uma das minhas maiores paixões, é verdade. Mas e quando a preguiça fala mais alto? E quando a falta de criatividade aparece e resolve ficar? Pois é. Esse negócio de faculdade tá tomando todas as ideias remanescentes que ficam na minha mente. Mas eu, sucinta e prevenida como sou, pensei, repensei e trepensei em algo para animar meus leitores: mais um manual com dicas imperdíveis desta pessoa que vos fala!

5 Passos para Retomar a Criatividade Perdida
Por Mariah Habib      

  1. Não desanime. Muitos escritores famosos também têm seus momentos na escuridão. (Mas não se acomode: afinal, se você não se esforçar, nem seu nome você vai conseguir escrever mais, hein!)
  2. Faça como eu e comece a observar cenas cotidianas. Pode ser que você se depare com algo que realmente te faça ter vontade de escrever sobre ou te traga alguma ideia para ficções. Ou então não te acrescente nada e te faça ficar irritada. (meu caso ultimamente)
  3. SE, em algum momento inesperado, seja fazendo suas necessidades fisiológicas - vulgo "número 2" - ou divagando antes de finalmente dormir, você sentir que uma ideia excelente está chegando, não faça como a pseudo-escritora burra que vos escreve: ANOTE ESSA PORRA E ESCREVA O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL! Ideias excelentes não costumam brotar quando você quer. Elas simplesmente vêm. Aceite isso. 
  4. Não adianta reclamar. Eu reclamo toda hora que não tenho inspiração. E sabe o que me acrescenta? Raiva. Então, se você quer escrever, esforce-se. Imagine uma cena ridícula, acrescente o humor e você terá leitores felizes! (ou não, essa tática só é indicada para jornalistas ou escritores de renome. Isso não nos inclui, ó vida, bandida.)
  5. Passe a pensar como seus leitores. No meu caso, isso não daria certo. Afinal, meus leitores são basicamente minha família e meus amigos, logo, eu só escreveria bobagens. (como se eu não fizesse isso!) Mas voltando ao manual, procure pensar grande. Ou então leia bastante. Leia receitas de bolo, encartes de cd, jornais criticando a esquerda, a direita, os ambidestros, a Dilma, o Papa, o mundo!, revistas de fofocas, livros sobre vampiros que na verdade são fadas, livros sobre bruxos e livros sobre mulheres que foram prostitutas. Peça àquele seu amigo que pegou dengue para escrever alguma coisa legal pra você. Tire inspiração disso, daquilo e daquele. Não perca tempo, pois até nas fezes do seu cachorro aquela criatividade pode ser encontrada!       

    Enfim, é isso. O texto ficou porco, eu sei. A falta de criatividade é muita, eu também sei. O humor ficou sem graça, eu sei. Eu sou uma péssima escritora, eu sei. E eu também sei que você já está de saco cheio de tantos "eu sei". (sou quase uma Chica Xavier, né? Tô sabendo de tudo!) Então, ó ser humano que não têm emoções, o que você espera? Se está de saco cheio, abaixe a cabeça, levante-se silenciosamente desse computador e retire-se! Agora, se você está rindo nesse momento em que lê, imaginando a cena nada agradável desta pessoa indo embora, continue. Continue porque você é um retardado (assim como eu, não me leve à mal.. até porque eu adoro ser retardada!) que conseguiu achar graça em tudo o que eu falei! Obrigada mais uma vez, você fez o meu dia!                  

quinta-feira, 17 de março de 2011

Tentando não olhar pra trás

           Hoje eu recebi notícias suas. Não tão específicas quanto o meu eu interior desejava ardentemente, mas perfeitas em relação àquele meu eu que estava ali escutando tudo. Você seguiu em frente. Eu ainda estou seguindo. Não é tão fácil, você sabe, mas na maioria das vezes me sinto obrigada a fazê-lo. Seguindo o fluxo, sabe como é? A maré. É claro que sinto a sua falta. Até a minha irmã sente a sua falta. Antes doía bastante lembrar de você ou até mesmo escutar alguma novidade sobre o que você estava fazendo ou com quem estava saindo. Agora não dói. É engraçado. É como se você fosse parte da minha imaginação. Tudo ficou tão vago, tão perdido, tão para trás. Às vezes gosto de parar no meio do caminho e dar uma espiadinha no que passou. Quem sabe você não me acena? 
          Foi gratificante saber que você tá gostando do que eu te indiquei. Eu sabia que você ia gostar. Você sempre soube que eu não falava as coisas a toa, não é mesmo? Foi por isso que você seguiu meu conselho. Fico feliz. Apesar de tudo o que eu falei (ou pensei), eu te desejava o melhor. Ainda desejo. 
         É engraçado tentar descrever o turbilhão de sentimentos que eu sinto. Saber de você é sempre tão estranho que prefiro não imaginar como seria encontrar com você. Mas no final de tudo, o que mais me agrada é saber que ficou uma lembrança boa. Continuamos a ser quem erámos, cumprimos o que prometemos se tudo um dia viesse a ruir e principalmente, não guardamos rancor e mágoas. O que aconteceu tornou-se passado e por incrível que pareça, só nos lembramos (ou comentamos) das coisas boas. Sinto orgulho de você por isso. Aliás, sinto orgulho de nós. Lembro de tudo e quando vejo, um sorriso de satisfação aparece estampado no meu rosto. Missão cumprida. Estou seguindo em frente. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ser calouro

Sem mais delongas, é uma sensação única e eu acho que todo mundo deveria experimentar! Quando os seus veteranos são legais e flexíveis, a coisa pode se tornar mais agradável ainda... É claro que o terrorismo faz parte, senão qual graça teria ir para a faculdade? Morrer de medo de voltar pra casa fedendo a tinta e ovos faz parte de um rito de passagem e perdê-lo, na minha opinião, é ser medroso demais.

Meu primeiro dia. E se ninguém gostar de mim? E se os veteranos forem abusados? E se eu ficar com muito medo? E se eles me derem um apelido horrível? E se eles rasgarem muito a minha roupa?, eram as perguntas que se passavam na minha cabeça. Ok, fiquei com tanto medo que falei pra minha mãe ir junto. É verdade, eu sei, sou praticamente um bebê e saber que a minha mãe estaria lá pra me proteger me deu um alívio enorme. Quer dizer, ela é minha mãe, logo, poderia me salvar de veteranos malignos e com sede de vingança. Mas isso não foi necessário porque o dia começou logo com uma aula. Sociologia da Comunicação. Quem, em sã consciência, gostaria dessa disciplina? Só o nome me desanima. Sem contar a cara do professor... Meu Deus, ele parecia um velho falando baixo e tediosamente. Sem hesitar, mandei uma mensagem pra minha mãe dizendo: "Estou viva e permanecerei assim, pode voltar pra casa". E como vocês, leitores, devem imaginar, ela voltou.
Foi nesse exato momento que os meus queridos e amados - pra não dizer o contrário - veteranos socaram a porta, gritando em uníssono que "calouro bom é calouro morto!!!!!". Por que, meu Deus, eu não esperei  mais um minuto pra liberar a minha mãe?!?!?!?!?! Agora eu estava sozinha no mundo e sim, eu estava me sentindo completamente ferrada. No quadro estavam alguns avisos simpáticos feitos pelos mesmos, do tipo: Hoje os calouros vão aprender a voar e Chegou a sua vez, calouro é tudo burro!!! Super meigo, não?

Quando as coisas melhoraram, quer dizer, quando os veteranos sossegaram em suas salas, a aula transcorreu naturalmente. Depois do intervalo, uma aula animada de português seguida com a invasão de veteranos multiplicados por mil com caixas de ovos e sorrisos malignos na boca. Eles disseram que não iam nos sujar e dito e feito, não o fizeram. Mas fizeram pior. Andamos de elefantinho, catamos feijão na grama, gritamos nossos nomes e idades na apresentação, gritamos que erámos um bando de burros e por fim, sobrevivemos. Além disso tudo, temos um ovo pra cuidar até o fim da semana. Quem ousar quebrá-lo ou esquecer de levá-lo para aula, não preciso nem dizer que está todo - e completamente - ferrado. Foi bom e ruim ao mesmo tempo. Mas se vocês acham que já acabou, sinto lhes dizer, queridos leitores, que isto é apenas o começo...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Traficante ou ladrão?

Eu não costumo perder a paciência facilmente. Ou pelo menos acredito nisso. É claro que alguns fatores podem alterar meu estado de paz e tranquilidade, como o querido e amável calor. Não lembro que dia da semana era exatamente, mas só sei que o maldito calor estava insuportável e a única coisa que se passava na minha cabeça era: preciso de um banho.
Arrumei minhas coisas e fui em direção ao banheiro, quando, exatamente no meio do caminho, o interfone tocou. Como ele estava ao meu lado, ergui o braço e coloquei aquele protótipo de telefone no ouvido.
- Pois não?
- Quem fala? - o porteiro perguntou e eu respondi meu nome educadamente - Então, sua amiga Isabel tá aqui querendo subir. Posso liberar?
Mas quem é vivo sempre aparece!, pensei. Isabel estava sumida desde quando começou a namorar de novo.  Nunca entendi exatamente o porquê dessa fixação dela com homens. Era como se não conseguisse viver sem eles. Mas fazer o quê, ela era minha amiga, eu estava com saudades e num súbito impulso, liberei sua entrada. Não deve demorar.
Arrastei-me pelo resto do corredor até a porta da frente, passando pelo banheiro, olhando-o com olhos melancólicos. Ahh, meu querido banho. Mas continuei o caminho mesmo assim, abrindo a porta e esperando ansiosamente que a cabecinha da minha amiga brotasse ali no corredor. Alguns minutos depois, ela apareceu, mas ao invés de entrar e acalmar minhas adoráveis cadelas que estavam a latir sem parar, ela ficou de longe me olhando de um modo totalmente sem graça. É claro que eu não consegui reprimir meu pensamento de entra logo, porra! e eu gritei (já que os latidos estavam impossíveis):
- ENTRA, ISABEL! TÁ ESPERANDO O QUE?
Sorrateiramente, ela sorriu, olhando pro corredor vazio. E então, de repente, eis que surge a maior aberração da natureza que eu já vi com os próprios olhos: o novo namorado dela. Ok, talvez eu esteja exagerando. Ele não é tão feio assim, mas pra começar, ele foi entrando pra dentro da minha casa como se nós fossêmos amigos há anos. Que tipo de pessoa faz isso no dia que te conhece?
Tentei esconder meu espanto e principalmente, meu queixo caído. Olhei pra ela pedindo explicações silenciosas, mas ela apenas mexeu na sua franja lisa escorrida e entrou sorrindo tentando acalmar as cadelas.
Ok, eu pensei, talvez isso demore um pouco mais do que eu imaginei. Respirei fundo e segui minha amiga até o sofá. O silêncio era constrangedor. Ela não vai apresentar a criatura pra mim? Pigarreei, joguei indiretas, nada. Ela continuava a falar de si mesma como se fosse a única coisa que importasse no momento.
- ... fui lá no salão hoje e meu cabelo ficou ótimo, tá vendo? - ela gesticulava, mexia no cabelo, se olhava no espelho, empinava o corpo para o rapaz que estava mais interessado em reparar na minha casa do que nela. Eu só conseguia olhar pra'quela cena sem saber como agir.
- Esse cachorro não morde não, né? - fui despertada pela voz masculina vinda do sofá. Olhei pra ele e não consegui segurar o riso: ele estava me perguntando se a cadela mais panguá do mundo mordia? Inacreditável!
- Não! - minha amiga respondeu na minha frente, rindo - Claro que não! Essa aí não morde nem osso, quanto mais você...
Foi exatamente nesse segundo que ela notou que ainda não nos tinha apresentado. Um pouco sem graça, mas ainda preocupada com o cabelo, ela o fez de qualquer jeito, como se não tivesse tanta importância.
- Prazer, - eu disse, tentando ser simpática. Apesar de todos os meus poros gritarem: QUEM É VOCÊ E O QUE VOCÊ FAZ NO MEU SOFÁ?, eu simplesmente passei a escutar o que a minha amiga falava enquanto ele olhava cuidadosamente os móveis, quadros e tudo mais que estava na minha sala.
- Menina, você viu o ponto de corte do meu curso na faculdade? Achei baixíssimo! Acho que vai dar pra passar numa boa... Esse ano eu estudei tanto, meu Deus! Não aguento mais ver caderno na minha frente...
- Pois é, nem eu.
- E esse calor? - ela prendeu o cabelo - Não tá suportável!
- É verdade.
- Encontrei sua mãe lá embaixo... - ela soltou o cabelo - E ela disse que o meu cabelo ficou ótimo! O que você achou? Tá super liso e macio, olha só...
- Realmente, - eu disse, tocando as pontas de seu cabelo - tá macio mesmo.
- Foi super barato! Minha mãe até animou de pagar mais ve...
- Posso ir na sua varanda? - o garoto perguntou, interrompendo minha amiga que não parava de falar e é claro, chamando minha atenção.
- É claro, - eu disse, desconfiada - a vista é ótima...
Ele se levantou rapidamente e foi até a varanda. É claro que a minha amiga continuou a falar, mas eu só ouvia algumas partes. Meus olhos se encontravam nele, no que ele observava, pra onde ele ia. Eu não podia simplesmente ignorar a cara de traficante e/ou ladrão que ele tinha, certo? Fiquei apreensiva. Provavelmente já estava na hora deles irem. Olhei para o relógio. Mais cinco minutos e eu começo com as indiretas. Depois de olhar cuidadosamente cada metro quadrado da minha pequena varandinha, ele saiu em direção ao corredor e deu uma bela olhada para os quartos lá dentro. Isso mesmo. Com a maior cara de pau do mundo, ele ainda olhou o banheiro e voltou a sentar-se no sofá. Aquilo tinha sido o cúmulo.
- Então, Isabel, eu ia tomar banho na hora que você tocou o interfone! Acredita que eu ainda tenho um trabalho pra fazer? - Sim, a parte do trabalho era mentira.
- É mesmo? Mas você não tá de férias? Eu tô! Tô nem mais indo na aula, é muito inútil porque nunca tem professor... Daí resolvi estudar por contra própria em casa... Assim posso acordar a hora que quero e... - ela não desconfiava que eu só queria que ela fosse embora com aquele marginal da minha casa.
Eu nunca me importei muito com os meus amigos virem pra minha casa sem avisar. Mas quando se trata de um pseudo-traficante-ladrão é necessário tomar uma providência. Sem hesitar, escolhendo meu sorriso amarelo preferido e a minha cara de pau não muito usada, soltei:
- Isabel, acho que tá na hora de você ir embora!
- Por que? - ela me perguntou, assustada.
- Eu preciso tomar banho, meus pais vão chegar e o seu namorado tá deixando minhas cadelas nervosas!
- Tá mesmo?
- Ahn, não. Mas que seja, amanhã você volta, eu tô realmente ocupada e...
- Tá bom, tá bom, já tô indo! Me leva até à porta?
Com prazer, pensei. Abri a porta pra ela passar com seu novo namorado, mas conhecido por mim como futuro traficante e/ou ladrão. Não contente em somente ir, o rapaz nem ao menos me deu tchau. Minha amiga me deu mil tchaus e mandou duzentos e noventa e sete beijos pra família toda, enquanto ele a puxava pela blusa em direção ao elevador.
Ao fechar a porta, encostei nela e percorri com os olhos rapidamente o espaço a procura de algum objeto em falta. Não senti falta de nada e encontrei apenas a minha irmã, parada, com os olhos arregalados. É claro que ela estava tão assustada quanto eu e após fazermos os comentários mais verdadeiros sobre o que acabara de acontecer, eu me contentei em respirar fundo e ir direto para o meu tão precioso e sonhado banho.