Dói, mas é verdade. A vida é cruel. Algumas coisas nem mesmo têm chance de começar e acabam. São dilaceradas. Permito, mesmo sabendo o quão arriscado isso é, que minha mente se encha de possibilidades!, e de repente, como uma ventania que não avisa quando vai chegar, tudo se esvai. A realidade machuca. Me fere tão assustadoramente que só sobra aquele antigo - e tão conhecido - vazio. Poderíamos ter dado certo. Erámos exatamente o que precisávamos. E agora, o que somos? Poderíamos ter tentado. Queria parar o tempo e mudar alguns aspectos do presente. Queria deixar você ler minha mente, me entender por completo, por inteiro. Eu queria mudar tanta coisa! Queria... Queria... Pretérito imperfeito. Não quero mais. Não posso mais...
Para acompanhar: Let me love you
terça-feira, 2 de abril de 2013
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Sendo direta
- Alô?
- Oi, João...
- Bruna? Oi linda!!! Como tá o seu feriado?
Animação em doses cavalares costuma me irritar. Eu estava sendo fria com ele - e isso é completamente óbvio - mas ao invés de perceber, ele prefere bancar o simpático-que-agora-se-preocupa-com-o-meu-feriado. Respondi, sem enrolar muito:
- Hmmm... Normal, sabe como é... Parado...
- Você e essa mania de ser velha! Tem que sair mais, garota!
Ohhhh, senhor simpático de novo. Engraçado esse comentário dele, principalmente porque a única coisa que falta para que eu saia mais de casa é um convite dele. Coisa que eu estou esperando há semanas... Ok, dias. Que seja!, resolvi ser mais agressiva:
- Hahahah, também acho. Inclusive vou ao cinema amanhã.
- Sério? Com quem?
- Ah, com um carinha aí...
- É mesmo? - Pude sentir todo o ânimo que estava na conversa se esvaindo rapidamente. Seria ciúmes? Esse rapaz é capaz de demonstrar algum sentimento???? - Legal.
Sempre odiei ser tão impulsiva. Passo grande parte do meu tempo tentando controlar essa característica tão forte que tenho. Tentando me transformar em alguém que pare para pensar. Mas quem disse que consigo? Quando dei por mim as palavras já tinham sido vomitadas na cara dele:
- Legal mesmo seria se eu fosse com você. Mas você nunca me convida, né? Tava pensando justamente nisso! No quanto eu queria que você estivesse no lugar desse pateta com quem vou ver um filme sem graça!
- Uau, Bruna...
- Uau, nada! Você sabe como eu me sinto, eu sei como você se sente... Eu só não quero ficar (mais) cansada de tanto esperar! Se você não quer...
- Eu nunca disse que não quero...
- E nem que quer! Esse é o problema!
- Eu só...
- Chega. Não tenho mais nada pra falar com você.
- O pateta chegou?
- Talvez.
Desliguei o telefone, com raiva, e fui me arrumar. Pateta ou não, o novo rapaz merecia uma chance. Não era exatamente quem eu queria. Aliás, ele nem mesmo me lembrava o João. Mas merecia uma chance. E eu me forcei a fazer isso. Desci as escadas pensando seriamente se desmarcava ou não, quando dei de cara com um rapaz sentado nos últimos degraus. Diminuí o passo, revirando os olhos, pensando "Ah, não, provavelmente algum amiguinho do meu irmão esqueceu que ele viajou!". Sem olhar para o rosto do ser que estava me atrasando, eu disse:
- Ei, meu irmão viajou. Cai fora!
Foi aí que gelei. Não podia ser.
- João?
- Acho que você me...
- Confundi, é. - eu disse, ainda meio incrédula - O que você tá fazendo aqui?
- Uau! Que jeito meigo de me receber!
- É só que... Eu não... É, eu não esperava te... Encontrar aqui.
- Tudo bem, não precisa se explicar. Eu sei que fui um babaca...
- Não me diga?
- Ei, calma... - fiquei quieta, segurando meu lado impulsivo. - Eu só tô aqui pra recuperar o tempo perdido, sabe como é... Você quer ir ao cinema comigo?
- Hoje?
- Agora!
Filho da puta!, pensei. Tive que dar uns gritos pra ele finalmente tomar uma atitude. Será que ele só tomou porque falei ou porque ele realmente me quer? A dúvida me dilacerava por dentro. Dançava no silêncio que se plantou logo após seu convite. Cobrava-me uma resposta...
- Sinto muito, João, mas não vai dar. Lembra que eu já tinha compromisso hoje?
- Mas não era um cinema com um pateta?
- Ainda é. Mas não posso fazer nada se ele mereceu uma chance de deixar de ser pateta.
Saí andando, sem olhar pra trás, decidida apenas por fora. Por dentro, eu estava em frangalhos. Queria voltar, abraçá-lo e beijá-lo, dizer olhando em seus olhos o quanto eu esperei que ele finalmente tomasse uma atitude. Mas nada que é bom vem facilmente, não é? E a gente tem que lutar. Pois bem, que comece a guerra.
- Oi, João...
- Bruna? Oi linda!!! Como tá o seu feriado?
Animação em doses cavalares costuma me irritar. Eu estava sendo fria com ele - e isso é completamente óbvio - mas ao invés de perceber, ele prefere bancar o simpático-que-agora-se-preocupa-com-o-meu-feriado. Respondi, sem enrolar muito:
- Hmmm... Normal, sabe como é... Parado...
- Você e essa mania de ser velha! Tem que sair mais, garota!
Ohhhh, senhor simpático de novo. Engraçado esse comentário dele, principalmente porque a única coisa que falta para que eu saia mais de casa é um convite dele. Coisa que eu estou esperando há semanas... Ok, dias. Que seja!, resolvi ser mais agressiva:
- Hahahah, também acho. Inclusive vou ao cinema amanhã.
- Sério? Com quem?
- Ah, com um carinha aí...
- É mesmo? - Pude sentir todo o ânimo que estava na conversa se esvaindo rapidamente. Seria ciúmes? Esse rapaz é capaz de demonstrar algum sentimento???? - Legal.
Sempre odiei ser tão impulsiva. Passo grande parte do meu tempo tentando controlar essa característica tão forte que tenho. Tentando me transformar em alguém que pare para pensar. Mas quem disse que consigo? Quando dei por mim as palavras já tinham sido vomitadas na cara dele:
- Legal mesmo seria se eu fosse com você. Mas você nunca me convida, né? Tava pensando justamente nisso! No quanto eu queria que você estivesse no lugar desse pateta com quem vou ver um filme sem graça!
- Uau, Bruna...
- Uau, nada! Você sabe como eu me sinto, eu sei como você se sente... Eu só não quero ficar (mais) cansada de tanto esperar! Se você não quer...
- Eu nunca disse que não quero...
- E nem que quer! Esse é o problema!
- Eu só...
- Chega. Não tenho mais nada pra falar com você.
- O pateta chegou?
- Talvez.
Desliguei o telefone, com raiva, e fui me arrumar. Pateta ou não, o novo rapaz merecia uma chance. Não era exatamente quem eu queria. Aliás, ele nem mesmo me lembrava o João. Mas merecia uma chance. E eu me forcei a fazer isso. Desci as escadas pensando seriamente se desmarcava ou não, quando dei de cara com um rapaz sentado nos últimos degraus. Diminuí o passo, revirando os olhos, pensando "Ah, não, provavelmente algum amiguinho do meu irmão esqueceu que ele viajou!". Sem olhar para o rosto do ser que estava me atrasando, eu disse:
- Ei, meu irmão viajou. Cai fora!
Foi aí que gelei. Não podia ser.
- João?
- Acho que você me...
- Confundi, é. - eu disse, ainda meio incrédula - O que você tá fazendo aqui?
- Uau! Que jeito meigo de me receber!
- É só que... Eu não... É, eu não esperava te... Encontrar aqui.
- Tudo bem, não precisa se explicar. Eu sei que fui um babaca...
- Não me diga?
- Ei, calma... - fiquei quieta, segurando meu lado impulsivo. - Eu só tô aqui pra recuperar o tempo perdido, sabe como é... Você quer ir ao cinema comigo?
- Hoje?
- Agora!
Filho da puta!, pensei. Tive que dar uns gritos pra ele finalmente tomar uma atitude. Será que ele só tomou porque falei ou porque ele realmente me quer? A dúvida me dilacerava por dentro. Dançava no silêncio que se plantou logo após seu convite. Cobrava-me uma resposta...
- Sinto muito, João, mas não vai dar. Lembra que eu já tinha compromisso hoje?
- Mas não era um cinema com um pateta?
- Ainda é. Mas não posso fazer nada se ele mereceu uma chance de deixar de ser pateta.
Saí andando, sem olhar pra trás, decidida apenas por fora. Por dentro, eu estava em frangalhos. Queria voltar, abraçá-lo e beijá-lo, dizer olhando em seus olhos o quanto eu esperei que ele finalmente tomasse uma atitude. Mas nada que é bom vem facilmente, não é? E a gente tem que lutar. Pois bem, que comece a guerra.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
O fim
E de repente, ela quebrou. Em pedacinhos.Viu-se desmanchando, transformando-se em lágrimas, cinzas, nada. Sentindo tanto, em tão pouco tempo, que processar o que tudo significava era impossível. Chorar não era seu remédio preferido. Mas funcionava... Como funcionava! Um simples ato como esse fazia com que tudo saísse por seus pequeninos olhos azuis. Toda a dor... Escorriam lágrimas de preocupação, de raiva, dúvida, tristeza... Seu rosto cansado ainda forçava um sorriso ou outro; pedia por seus olhos, seu sorriso fiel, seus braços tão acolhedores. E agora me diga, ou melhor, diga a ela: onde está você?
Ela se sentia tão solitária. Tão cinza. Como se no meio da multidão não houvesse ninguém. Seus pensamentos iam e viam numa rapidez inacreditável. Parar de pensar era tudo o que ela pedia. Existir dói...
domingo, 23 de setembro de 2012
Dentro de mim
Por um instante, gelei. Meu coração começou a bater mais forte, minhas pernas ameaçaram falhar, meu olhar procurou o seu. Fiquei esperando você vir até mim sorrindo, de braços abertos, como você fazia toda vez que nós nos encontrávamos naquele lugar tão nosso. Não vou negar que tentei colocar outros ali, onde você ficava. Mas aquele pedaço do muro, ao lado do meu, pertence apenas a você. Em questão de segundos, enquanto eu sugava o pobre rapaz que me lembrava tanto você, percebi o quanto eu queria você ali do meu lado. Não era nosso muro, mas ainda assim dava pra conversar por horas a fio, sem nenhuma preocupação a mais. Fechei os olhos, respirei fundo e magicamente, senti seu perfume, ouvi sua voz, sua risada. Eu posso jurar que você estava ali do meu ladinho!, mas você se desfez tão rapidamente... Nem ficou para um café...
Acho que no final das contas isso tudo foi um dos sintomas de saudade. A gente fica meio fora do ar mesmo. Imagina o que não tem, se ilude e sofre. Você nunca apareceria, eu sei. É bem provável que a gente nunca mais se encontre, mas eu gosto de te sentir quando não há ninguém por perto. De te manter vivo aqui dentro de mim.
Acho que no final das contas isso tudo foi um dos sintomas de saudade. A gente fica meio fora do ar mesmo. Imagina o que não tem, se ilude e sofre. Você nunca apareceria, eu sei. É bem provável que a gente nunca mais se encontre, mas eu gosto de te sentir quando não há ninguém por perto. De te manter vivo aqui dentro de mim.
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