sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sobre não aceitar

          A vida não é fácil. Nunca será. A gente às vezes tem mesmo que ouvir o que não quer... E principalmente, tem que encontrar uma forma de aceitar. Ou quem sabe, questionar, procurar entrar em acordo, melhorar as duas partes. E aí, sim, aceitar.
            Na maioria das vezes eu sou repreendida por falar a verdade: eu falo o que penso, quando penso, na hora que penso. Pelo menos posso dizer que a minha vida é um livro aberto e que eu não preciso me afastar e esperar a poeira baixar pra tentar valer a minha opinião. Mas às vezes ser tão verdadeira dói - especialmente em mim. Dói porque vejo o quão mais fáceis as coisas são, já que sou limpa e cristalina como a água e vejo o quão difícil é lidar com as pessoas que vivem em meio a mentiras e conspirações. Pessoas tão baixas e tão mesquinhas que não conseguem ao menos parar de olhar para os seus próprios umbigos um minuto sequer.
             Com esse lance de redes sociais, as pessoas passaram a agir de forma projetada, isto é, lá (no facebook, amigos!) a gente faz o que a gente não faria na vida real. Se na vida real essas pessoas não conseguem encarar situações de cabeça erguida, na vida online todo mundo faz o que quer. Excluir e bloquear alguém dos seus amigos não faz com que ele realmente saia da sua vida. Os laços ficam para sempre, quer a gente queira ou não. Então ao invés de ser covarde, fugir e se esconder, por que não encarar que o erro foi imenso e que se deve fazer algo a respeito? Por que não sentar e conversar? É simples, é prático e a gente nem precisa se esconder atrás de um perfil do Facebook.
            Aceitar faz parte de amadurecer. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sobre o amor

        Encantado. A luz do sol entrava, de fininho, pelas frestas da janela e a irradiava. Tornava os fios de cabelos que negros são, castanhos. Eu podia sentir sua respiração serena ao meu lado. Tão divina. Com meus pequenos e singelos olhos, eu tentava sugar tudo que encontrava naquele rosto angelical: suas pintinhas, seus traços, seu sorriso despreocupado; sorriso de quem sonha, de quem é leve acima das durezas desse mundo. Eu queria roubá-la pra mim, mesmo sabendo que seu coração já me pertencia. Eu queria eternizá-la. Fazer com que cada parte que ali estava, ali ficasse.

Luzes na praia

       A sensação é viciante. Por apenas quinze minutos, pude esquecer do mundo: dos meus problemas, da confusão, do calor, da irritação, de tudo. Fiquei parada, imóvel, curtindo as luzes que surgiam e me iluminavam por completo. Iluminavam todos à minha volta. De vez em quando, sorrateiramente, virava afim de ver a reação das pessoas. Seus rostos ficavam ora verdes, ora vermelhos; amarelos, dourados e roxos! Os sorrisos estampados demonstravam que todos se sentiam exatamente como eu: livres; entregues à deliciosa sensação das luzes indo e vindo, na imensidão do mar. O medo de ser atingida já não me pertencia mais; internamente eu rezava para que aquilo durasse mais e mais e mais...
      Uau e nossa! eram, sem sombra de dúvida, as palavras mais pronunciadas e ouvidas. Crianças sorriam. Pessoas se abraçavam. O ano novo estava entre nós! E chegava com estilo inigualável... A chuva fininha e gelada que caía só ajudava. Fazia com que nós nos sentíssemos vivos. Como se todos, juntos, fôssemos parte de algo muito maior e inexplicável, presente o tempo todo.
      Esqueci-me da realidade. Perdi-me entre as luzes tão vivas. Penso que a minha versão velha por lá ficou... Insegura e medrosa - perdida, por entre as ondas infinitas do mar. Espero que por lá ela fique. Não preciso mais!
   

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sobre o fim sem começo

       Devastada. Eu não sabia para onde estava indo ou exatamente o que tinha acontecido há alguns minutos atrás. Teria sido apenas um sonho ruim? Não, foi real. A dor que ardia em meu peito e me fazia sentir aquela angústia tão intensa me informava a todo tempo que aquilo não era uma brincadeira. As palavras e olhares se repetiam sem parar, over and over and over again na minha cabeça. Eu andava com passos pequenos e ligeiros, as pessoas passavam como borrões e suas expressões perdidas não me importavam; no fundo eu desejava poder correr para bem longe e deixar tudo aquilo para trás. 
         Subi as escadas até o estacionamento completamente desorientada. Eu não sabia exatamente o porquê disso tudo, mas cada cena insistia em se repetir na minha frente, como se nada no mundo importasse mais. Como eu poderia sofrer por algo que nem mesmo começou? Como algo tão simples e tão insignificante poderia me machucar tão profundamente? 
        Devastada. A gente sempre acha que as coisas estão bem como são, e que algumas características que consideramos qualidades são vistas assim por todos. Que ledo engano! Valores são ultrapassados e ser quem sou é - aparentemente - errado. Tentar chegar a um acordo é inaceitável. É o fim! É o fim! Alguém pode parar o mundo e me informar quando tudo isso começou? Quando me tornei tão legível? Quando as coisas não eram tão complicadas? 
         "A gente toma porrada e não fica caído no chão, não! A gente levanta e mostra que tá tudo bem. Eu não quero ver você emburrada assim...". Quem dera aceitar fosse mais fácil. Quem dera engolir um monte de besteiras não fizesse com que meu estômago gritasse por misericórdia. Quem dera absorver um golpe como esse fosse tão tranquilo. Às vezes acho que o problema sou eu. Antiquada demais? Romântica demais? Sonhadora demais? Que me desculpem os diferentes, mas é assim que as coisas funcionam.