domingo, 31 de janeiro de 2010

Procura-se Rainha da Bateria

Dia 28 de Janeiro

O médico abaixou a cabeça, sério e fitou sua miniatura de esqueleto humano que ficava em cima da mesa. Seu olhar era tenso, e eu comecei a me sentir nervosa. Alguma coisa estava errada. Num movimento brusco, seus olhos encontraram o vazio e noutro, encontraram os meus olhos.
- Ela precisa vir aqui urgentemente!
- Por que, doutor? - perguntei, impacientemente.
- Quem vai sair à frente da bateria no lugar dela? - ele sorriu.

Uma semana atrás:

Um sofá confortável, uma tv grande e um show de dança passando nela. O samba de gafieira que tocava, deixava todos no recinto com vontade de levantar e por os pés no ritmo daquela música contagiante. Não era um samba rápido, como de carnaval. Era malandro, não muito lento, não muito rápido. Era gostoso. Meus ouvidos apreciavam a música.
Minha vó vinha do corredor e ao notar a música, disse:
- Olhem só como ainda tenho samba no pé!
Eu não prestara atenção no samba que ela fazia, meus olhos continuavam fixos na tv. De repente, ouvi um estalo e minha vó disse um 'ai' bem baixinho. Continuei a olhar a tv, achando que não fosse nada de importante.
- Meu joelho! - ela gritou, fazendo uma careta de dor - Não consigo mexer!
Levantei-me num salto e estiquei meu braço para servir de apoio. Deixei-o bem firme e quando o peso dela passou para eles, a coloquei no sofá em que eu estava.
- Está tudo bem? - perguntei.
- Ai, - outra careta de dor - acho que não sambo mais como antigamente... Acho que torci meu joelho, não consigo mexer!
- Calma, vó, tá tu...
- O que aconteceu? - Minha mãe apareceu assustada no meio da confusão. Seus olhos arregalados indicavam que o simples acidente tinha sido um escândalo.
Explicações feitas, minha vó decidiu voltar para casa, acreditando que à noite estaria melhor. Passou uma pomada e foi-se mancando com a minha mãe.

Mesmo dia, mais tarde:

Um bar, família, à luz da lua. Conversas, risadas, copos quebrados, palhaçadas, gritaria, comida, gordura, refrigerantes, chopps e sorvetes. Tudo indo muito bem, até na hora de ir embora. Minha vó levantou-se da cadeira e novamente, fazendo a clássica careta de dor, gritou 'ai'. Minha tia assustou-se e disse que estava na hora de ir ao médico. Era mais do que claro que não havia nada naquele joelho, já que - sem querer dar uma de médica - nem inchado o pobre coitado estava. Mas vocês sabem como são avós, não é? Sempre fazendo tempestades em copos d'água. A confusão era grande. Todos davam opinião ao mesmo tempo e minha vó estava perdida, sem saber o que falar ou responder: dava pra notar que não queria ir ao médico, que achava aquilo tudo muito precipitado, mas o que ela poderia fazer? Era só ela contra minhas duas tias malucas e alvoroçadas.
Foram-se. Me contentei em ficar em casa com minha irmã e a madrinha dela. Acabei adormecendo antes que meus pais chegassem. Não fiquei sabendo de notícias.

Dia seguinte, pela manhã:

Estava tudo bem. Não havia nada naquele joelho, só um simples jeito que fora resolvido na hora. O médico da emergência apertara seu joelho e assim que notara que estava fora do lugar, o colocara de volta, mesmo depois das reclamações seguidas da minha avó. Ela ficaria com a minha joelheira (já que tenho certos problemas constantes com a dança) até ir no médico dela mesmo.

Voltando ao dia 28 de Janeiro:

- Doutor, assim você me assusta! - minha vó disse, rindo.
- Ué, do jeito que ela é, precisaremos urgentemente de uma nova rainha da bateria! Nossa principal concorrente se machucou e agora, o que será do carnaval sem ela? - ele disse, ironicamente rindo.
- Pois é, - minha mãe disse - eu disse pra mamãe não ficar sambando por aí, antes do grande dia! Agora que as coisas complicaram, vai ficar em casa assistindo da televisão mesmo! - ela lançou um olhar severo pra minha vó, seguido de um sorriso grande.
O médico se levantou e foi em direção à porta: a consulta havia terminado. Nos levantamos e o seguimos.
- Doutor, - minha vó disse, enquanto íamos na frente - vem cá, ano que vem já posso voltar às passarelas, né?
O médico deu uma gargalhada que estremeceu o prédio. Ironias à parte, era ótimo saber que estava tudo bem, como sempre.

21 comentários:

  1. ahahahaha,que legal..minha vó tbm eh animada..ouve Beatles comigo,assiste Harry Potter,Glee,e Supernatural comigo..shaushauhsuashuas

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  2. Que bom que tudo deu certo.... amei!!!
    bjos
    ps: tira uma dúvida minha?É historia ficticia ou real??
    adorei!

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  3. Ri muito com essa história, a vovô é super legal.

    bjs

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  4. obrigada pela visita. Muito bom saber que outras garotas passam pela mesma situação. volte sempre, tá lindo o seu bloig
    Bjus

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  5. obrigada pela visita. Muito bom saber que outras garotas passam pela mesma situação. volte sempre, tá lindo o seu bloig
    Bjus

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  6. Que vovó hein :)
    Gostei dela..
    Ri muito com essa hitória :)
    Adoreei!
    Bjus

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  7. obrigada vc pela visita. Tbm amo seus textos, eles são bem verdadeiros
    bjão

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  8. a minha vó só sabe um passo de dança, e o faz em todos os ritmos kkk

    mariaaah, infelizmente eu nao voltei de verdade ainda HAUHAEUHA a escola toma muito tempo agora :/ mas passo no blog sempre que dá.

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  9. UHAHUAUHAHUAHUAHUAUHAUHA' euri²
    continuei a história que eu to escrevendo lembra? da lorena e do bernardo? :)
    beijos. se cuida. :)

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  10. É, mais já estou com saudades das férias... rsrsrs!

    Tudo bem com vc?

    Beijos ;**

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  11. HAUHSDUIHAS
    vovó desbancando as garotinhas então!
    ta super mary o/

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  12. Obrigada.. Eu vou mais tipo ainda não achei o esmalte, e minha manicure não tem.. rsrsrs

    Beijos ;**

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  13. obrigada vc pela visita e volte sempre, bjão

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  14. ri muito com a história!haha
    bjos
    mah

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  15. OIHSOIAOISAOIASHI'
    Ainda bem que tava tudo bem! Adorei!

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Todo mundo merece um comentário legal :)